Em Lisboa

Mil Pássaros em Lisboa

No âmbito da Capital Verde Europeia 2020, a Companhia de Música Teatral e a Câmara Municipal de Lisboa levam um projeto à comunidade escolar que tem como base a “Constelação Artístico-Educativa Mil Pássaros” e aborda de forma transversal domínios artísticos e educação ambiental. Através de um processo de escuta e representação artística, convida-se à realização de atividades que despertem os alunos para a fragilidade do planeta que habitamos. Partindo da formação inicial, os interlocutores (professores e mediadores) seguem processos de trabalho que culminam numa Instalação Coletiva em que o envolvimento de cada criança é representado pelo orizuro (origami em forma de pássaro) que construiu. O projeto pretende juntar toda a comunidade em torno de um objetivo comum e desenvolve-se em duas grandes frentes:

  • Uma frente de trabalho geral abrangendo todas as escolas públicas do município.
  • Uma frente de trabalho de maior profundidade e continuidade mediada por equipamentos municipais (museus e bibliotecas)


 Passo a passo

Formação.

São exploradas atividades de voz e movimento, de escuta da “paisagem sonora”, de exploração plástica e de educação ambiental, a partir do universo dos pássaros e do material musical do projeto Mil Pássaros.

Estas ações têm como objetivo a criação e desenvolvimento de ideias que os participantes possam adaptar no trabalho com as crianças e respetivas famílias no decorrer do projeto. Pretende-se sensibilizar para a importância e potencial educativo e artístico do projeto e esclarecer os aspectos práticos da sua implementação garantindo que o trabalho realizado na sala de aula adquire um lado metafórico compatível com a estética da instalação colectiva a realizar na Estufa Fria.

Escuta e construção de orizuro

É um fruto palpável das atividades desenvolvidas pelos professores e que tomam diversos rumos. A Formação é um ponto de partida e também um “foco”  uma vez que as crianças expressam os seus “desejos” num pássaro/orizuro que constroem.

Oficina de Pássaros

É uma sessão dinamizada por um músico e direcionada a cada turma que visa exemplificar no contexto real da sala de aula os conceitos e vivências da formação recebida.

Escultura Primeiros Pássaros

O grupo de trabalho, com a mediação de equipamento municipal, cria uma estrutura de madeira onde são integrados os orizuros que são criados como representações materiais do processo de escuta vivenciado. As esculturas resultantes são os elementos base da instalação colectiva em que o projecto culmina.

Espetáculo Opus 8

Uma performance a solo dirigida ao público infantil concebida a partir do material conceptual e estético do universo Mil Pássaros e dotada da portabilidade e flexibilidade necessárias à sua apresentação na generalidade das escolas, museus e bibliotecas municipais.

Performance

A recolha dos pássaros-orizuros construídos pelas crianças em cada escola é encarada como um acto-performativo que enfatiza o lado poético do projecto e expande o imaginário e sentido metafórico dos artefactos. Um “performer” desloca-se à escola e “interrompe” o quotidiano de cada uma das turmas que participam no projeto. Tem um conjunto de recursos expressivos que desenvolveu em residências criativas que partilhou com vários “performers”. Estabelece um “ritual” que privilegia a comunicação não verbal e que culmina com a partida/migração dos pássaros.

A performance nas Escolas é encarada como um aspecto particular da performance na Cidade. Isto é, os “performers” habitam/atravessam a Cidade “à procura” dos pássaros criados pelas crianças e transportam-nos, ajudam a encontrar/construir um “lugar” onde possam formar um  grande bando (a instalação)

Instalação Coletiva

O universo Mil Pássaros abre-se a toda a comunidade , na estufa fria, durante o mês de junho de 2020.

A instalação na Estufa Quente é o “lugar” para onde convergem os pássaros-orizuros. Um lugar que celebra a vida e a harmonia mas também que expressa a necessidade de “afinar pessoas pássaros e flores”. Consiste num conjunto de objectos tridimensionais (pássaros feitos de pássaros) que coabitam com as plantas da Estufa Quente. A instalação é vista como um “diálogo” com as plantas, simultaneamente uma memória e uma construção pelo que embora proporcione uma experirência diferente não altera a forma de visitar a Estufa.

No Centro Interpretativo uma exposição “mostra e explica” questões conceptuais e da implementação do projeto. Um conjunto de imagens e textos funciona como uma espécie de “catálogo da exposição” desvendando aspectos que são importantes comunicar mas que não se devem interpor a uma recepção livre da experiência da instalação. A visita ao centro interpretativo adiciona uma leitura racional a uma experiência inicial que se pretende seja dos “sentidos” e das “emoções”.

O dia de abertura (5 de junho) é assinalado por um conjunto de performers que habitam a instalação.. Não se trata dum “espectáculo” com princípio, meio e fim, mas sim duma “habitação artística do espaço” feita de forma a aprofundar a ideia do “cuidar” do Mundo. Os visitantes da instalação no dia da abertura procederão da forma habitual, mas coabitarão com o imaginário performativo do projecto.